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Familiares de pacientes recebem suporte psicológico de modo virtual



Entrevista com Márcia Verônica Silva Andrade, psicóloga clinica na empresa FONOVIDA – Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), cujo atendimento é voltado para os familiares de pacientes internados no Centro de Tratamento Covid-19.


Berna Farias

Jornalista DRT/BA 1158


Qual a funcionalidade e importância da psicologia neste momento de pandemia e de distanciamento social que estamos vivendo em função dela?


O psicólogo tem um papel fundamental neste período de pandemia. O objetivo maior num momento como esse, nunca antes vivido, é oferecer acolhimento, uma escuta ativa, a fim de ajudar na promoção do bem-estar, visando à diminuição do estresse agudo. Cada indivíduo tem uma forma particular de lidar com as implicações emocionais do adoecimento, da quarentena e dos aspectos psicológicos do isolamento, de modo que as questões são apresentadas considerando os recursos de enfrentamento de cada um.


Como as pessoas estão sendo afetadas psicologicamente pela pandemia e pelo isolamento?


Neste momento de incertezas, com taxas de mortalidade amplamente divulgadas pela mídia, com internamentos sem acompanhantes e sem a presença da família, lidar com medos reais, medos invisíveis, torna bastante difícil o enfrentamento dos transtornos psicológicos. Uma escuta e acolhimento adequados são muito relevantes no processo de estabilização emocional e melhora significativa no estado emocional do paciente e do familiar.


Como se dá seu trabalho com os familiares de pacientes de Covid-19 no Centro de Tratamento Covid-19?


A partir do primeiro contato, é avaliada a complexidade emocional da família envolvida, para a definição da quantidade de atendimentos semanais e estratégias interventivas. O atendimento é feito de forma virtual.


Quais as principais demandas, fragilidades, problemas que esses familiares apresentam?


Sem dúvidas, a demanda maior das famílias é o distanciamento do paciente internado. Pacientes da enfermaria, geralmente, utilizam seus próprios aparelhos para contato; em caso de impossibilidade, o hospital disponibiliza meios de visitas virtuais. No que diz respeito aos pacientes da UTI que estejam fazendo uso de aparelhos de ventilação ou em desorientação, a comunicação é feita por meio de boletins médicos (protocolo de cuidados de acordo com quadro do paciente), o que causa mais ansiedade às famílias, quando não há uma evolução desejada no quadro.


Como essas pessoas chegam à consulta: ansiosas, esperançosas, amedrontadas, e qual o padrão de orientação a ser dado a elas, o protocolo para o atendimento?


Ansiedade, medo de perder e angústia são demandas recorrentes nos atendimentos, com sensações de impotência, angústia e tristeza. O protocolo para o atendimento consiste da utilização de Psicoeducação; escuta ativa que possibilita avaliar necessidades e preocupações; identificar rede de apoio sócio-afetiva (amigos, família, religião, etc.); redução do estresse, orientando na busca de informações claras e confiáveis; e ajudar a identificar recursos internos que já tenham sido utilizados em situação de crise anterior.


A experiência vivenciada com a doença pode implicar em uma retomada, uma ressignificação na vida dessas pessoas?


Este não será um ano a ser esquecido, principalmente para as famílias que viveram de perto o medo, o luto e mudanças significativas nos hábitos. A empatia, o auto-cuidado, significar e ressignificar valores serão, sem dúvidas, ganhos diante do impacto sofrido com a pandemia.


Como você imagina o pós-pandemia, em termos de demanda para o atendimento psicológico clínico?


Muitas queixas serão apresentadas pós-pandemia: ansiedade aguda, TEPT (transtorno de estresse pós-traumático), depressão, lutos não elaborados, pessoas que se culpam por ter infectado outras que foram a óbito, mudanças na estrutura econômica da família, consequência do desemprego e etc. Além disto, são previsíveis as sequelas emocionais e comportamentais pós Covid-19.


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